O ”Tarifaço” de Trump é um misto de várias coisas, não obrigatoriamente conexas, mas que se casam perfeitamente com o perfil e o caráter de seu autor. Algumas pistas se vão explicitando: uma delas é que ocorreram, casadas no tempo com o anúncio das medidas trumpistas, operações suspeitas de especulação com o câmbio e ações de algumas companhias, visando lucros de curto prazo; outra pista diz respeito a que as medidas anunciadas sobre o Brasil ocorreram simultaneamente à realização, no Brasil, da cúpula do BRICS, com sua expressão de independência em relação aos EUA e sua moeda; também ocorre o fato de que essas medidas tarifárias coincidem com um momento em que se discutem instrumentos de regulação das big techs, que conformam um setor com interesses centrais no governo Trump, ao mesmo tempo em que detêm fortíssimo controle das bases digitais brasileiras; outra pista para a compreensão das medidas tarifárias é que começaram a se explicitar movimentos de setores empresariais americanos com interesse no acesso a minerais estratégicos, particularmente às chamadas “terras raras”; e surgem lances típicos de guerra híbrida, forçando, através do Brasil, movimentos de conflitos geopolíticos mais amplos. O fator Bolsonaro surge, apenas e tão somente, para dar espaço a uma narrativa que favorece a polarização política interna ao Brasil, provocando manifestações de apoio às medidas de Trump, mesmo que assumindo contornos de traição à soberania nacional.
Participação: Sebastião Velasco



Uma resposta
O nosso país há muito tempo já vem sendo cobiçado em suas riquezas, e os Estados Unidos e um dos perigo pra todos os outros é o Brasil está nesta mira de dominação. Avante povo em defesa da nossa democracia e o nosso país juntos somos mais fortes.