O uso das tecnologias digitais transformou profundamente as disputas políticas contemporâneas, atuando tanto como ferramenta de engajamento democrático quanto como meio para a disseminação de desinformação e intensificação da polarização. Redes sociais, algoritmos e, mais recentemente, a inteligência artificial (IA) reconfiguraram as campanhas eleitorais, permitindo maior segmentação de público, mas também criando desafios para a integridade dos processos eleitorais. O uso indevido de tecnologias digitais nas disputas políticas brasileiras nas eleições de 2018, 2020, 2022 e 2024 consolidou um cenário de desinformação, manipulação da opinião pública e ataques à integridade do processo democrático. Os principais mecanismos envolveram a disseminação massiva de fake news, o uso de robôs e a exploração de dados para microdirecionamento de mensagens. A tecnologia, portanto, é um campo dual, podendo fortalecer a democracia através da transparência e participação, ou enfraquecê-la através da manipulação algorítmica e desinformação. Esse contexto em que ocorrerão as eleições de outubro de 2026 no Brasil, portanto, coloca desafios sérios de regulação e fiscalização, sem prejuízo da apropriação do uso democrático das ferramentas.
Participação: Rogério Alves e James Görgen


