Desde o primeiro dia em que foi instalado o novo Governo Trump, este deixou claro a que veio, buscando eliminar intermediários entre o Estado e o mercado. Os grandes conglomerados de tecnologia que o colocaram na Casa Branca praticamente passaram a despachar de dentro do Salão Oval e o fazem com uma avalanche de normativas, discursos e acordos, demonstrando ao mundo que as big techs estão cobrando a conta de seu apoio. Isto se tornou uma grande ameaça, mas pode ser também uma oportunidade para a contrapartida de autonomia não apenas tecnológica, mas política, cultural e econômica. A ameaça é global, mas sua contramedida pode também ganhar essa envergadura uma vez que outros países entraram na disputa. Ficarão patentes os limites da soberania digital de países que não desenvolverem suas próprias soluções para escapar da dependência tecnológica das principais potências e suas big techs. A atuação recente destas acaba representando a passada de recibo para o fato de que atuações regulatórias e judiciais como as ocorridas no Brasil e em outros países, como defesa contra os desmandos daquelas, tornaram-se um espelho do espaço a ser defendido. E são insuficientes se não forem adotadas políticas industriais voltadas a criar ecossistemas digitais nacional. Já são duas décadas de lucros bilionários e poder político e geopolítico desses conglomerados digitais que lhes têm dado a aparência de protagonismo central, demonstrando a necessidade premente de alternativas técnicas, políticas e judiciais.
Participação: James Görgen


